Brasília, segunda-feira, 23 de março de 2026 - 18:34
Guerra no Oriente Médio e o impacto no Brasil
Por: Gustavo Alves*
Escalada internacional pressiona petróleo, dólar e inflação. E expõe fragilidades estruturais da economia brasileira.
Guerras podem começar longe, mas seus efeitos chegam rápido. E, quase sempre, com força. A escalada militar no Oriente Médio, impulsionada por estratégias geopolíticas agressivas de Estados Unidos e Israel, é mais um lembrete de que a economia brasileira permanece vulnerável a choques externos. Basta a tensão aumentar para que o preço do petróleo dispare, o dólar se valorize e o impacto recaia, quase de imediato, sobre a inflação e o custo de vida no País.
Essa cadeia de efeitos não é nova e é conhecida, previsível e reiterada ao longo das últimas décadas. Combustíveis mais caros encarecem o transporte; o transporte mais caro eleva os preços de praticamente tudo. Em um país fortemente dependente do modal rodoviário para escoar alimentos, mercadorias e insumos industriais, qualquer alta no diesel se espalha como choque inflacionário em cascata, recolocando o debate sobre juros no centro da política econômica.
Aos que defendem de forma acrítica as iniciativas do eixo Trump-Israel, convém ir além dos slogans e da retórica simplista das redes digitais. As consequências concretas dessas ações são bem menos abstratas: crédito mais caro, investimentos adiados e crescimento e desenvolvimento econômicos comprometidos. No Brasil e no mundo.
A chamada “marcha da insensatez” associada ao trumpismo repercute diretamente em setores estratégicos da economia brasileira. O agronegócio, frequentemente apresentado como símbolo de força e resiliência, revela dependência estrutural significativa: cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no País são importados. Parcela relevante desses insumos provêm de regiões geopoliticamente instáveis ou dependem de cadeias produtivas expostas a conflitos internacionais.
Esse é um dos paradoxos centrais das economias periféricas no sistema global: produzir riqueza não significa controlar seus determinantes nem seus efeitos. Nesse contexto, medidas como a decisão do governo Lula de zerar impostos federais sobre o diesel funcionam como amortecedor temporário, capaz de aliviar parte da pressão inflacionária. Ainda assim, os sinais vindos do cenário internacional — especialmente da política externa americana — indicam que estamos longe de desfecho estável.
A combinação de irresponsabilidade geopolítica, extremismo de direita e desrespeito ao direito internacional não é inédita. E seus resultados históricos são conhecidos: guerra, instabilidade e miséria. O que se observa hoje é o ressurgimento dessa tríade, agora amplificada por discursos locais que a legitimam e reproduzem.
Esta semana estamos assistindo outra característica típica do trumpismo e da extrema-direita: a covardia.
Com a resistência do Irã, inclusive aos arroubos de ultimato que poderia acabar com toda a infraestrutura civil no Oriente Médio, houve novo recuo de Trump.
Assim como a vigorosa resistência do povo cubano também irá derrotar a bárbara tentativa de subjugar Cuba, a resistência dos demais povos irão acelerar a queda do império americano.
Diante desse cenário, impõe-se desafio político claro. Mais do que disputar resultados eleitorais imediatos, cabe às forças progressistas atuar com foco, firmeza e senso histórico. O enfrentamento ao avanço de tendências autoritárias não é apenas questão doméstica, mas parte de embate mais amplo, que envolve o futuro da democracia, da estabilidade econômica e da própria convivência internacional.
O que está em jogo vai além de fronteiras. Os reflexos da guerra já estão no bolso dos brasileiros. E as escolhas políticas de hoje ajudarão a definir como a sociedade irá derrotar a barbárie patrocinada pela extrema-direita nos EUA e aqui no Brasil.
(*) Jornalista, webdesigner, especialista em Ciência de Dados
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