Brasília, domingo, 8 de março de 2026 - 0:0 | Atualizado em: 7 de março de 2026 - 18:54
8 de Março e a exaustão da luta contra o feminicídio e a misoginia
No Dia Internacional da Mulher, o Brasil contabiliza alta de mortes. Movimento sindical destaca a responsabilidade da sociedade no combate à violência de gênero, para que trabalhadoras, mães, jovens e companheiras possam superar esse mal
O Dia Internacional da Mulher deveria ser data para celebrar. Todavia, o grave problema impede: 1.470 feminicídios em 2025; 1.464, no ano anterior. Somadas às tentativas, o índice sobe para 6.904 vítimas em 2025; e 5.150 em 2024.
Números que traduzem o estado de barbárie social e de gênero.
Nos 66 dias deste ano, a violência brutal contra mulheres já dominou as manchetes dos jornais. Agressões que também têm como alvo filhos e familiares das vítimas.
Sobreviventes seguem suas vidas com medo, traumas e enfrentam a exclusão.
A alta de crimes, cometidos com métodos cada vez mais desumanos, parece anestesiar a população. Diante disso, o movimento sindical dispõe desta data para incentivar postura mais ativa da sociedade no combate contra essa violência.
“Ficou usual ver relatos de sobreviventes com rostos desfigurados. Isso está errado. Precisamos nos mobilizar e pôr fim a todo e qualquer tipo de violência contra mulheres”, defende Maria de Jesus da Silva, presidente do SAEP.
Feminicídio no DF
A senadora Leila Barros (PDT-DF) tem destacado o aumento alarmante do feminicídio no Distrito Federal. Ela cita o ano de 2023 com recorde de 34 mortes.
Dados recentes indicam 26 a 27 mulheres vítimas de feminicídio no DF em 2025. A senadora enfatiza a necessidade de combater a impunidade e reforçar a proteção às mulheres.
O DF iniciou 2026 com registros de feminicídio, incluindo o caso de adolescente de 14 anos, em Planaltina em janeiro. A jovem morta pelo padrasto.
Muitas leis, pouca consciência popular
Não falta legislação para proteção de direitos das mulheres. Ao contrário, existe verdadeiro cardápio de normas aplicáveis a depender do caso.
A Lei Maria da Penha, por exemplo, completa 20 anos em agosto. Na época da criação, foi considerada marco no combate à violência contra a mulher no ambiente doméstico e familiar.
Duas décadas depois, tem-se ainda o desafio comportamental. “A população não se conscientizou. Homens ainda enxergam mulheres como inferiores, em todas as áreas da vida, ou como propriedades obrigadas a servi-los”, comentou Maria de Jesus.
Em fevereiro, o governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A medida trata do compromisso do Executivo, Legislativo e Judiciário para dar eficácia ao enfrentamento a esse tipo de crime.
Leia mais: Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio
Atualmente, estão em vigor as seguintes normas:
Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06): coíbe a violência doméstica e familiar, com uso de medidas protetivas de urgência;
Lei Carolina Dieckmann (Lei 12.737/12): criminaliza invasão a dispositivos informáticos e violação de privacidade, como no vazamento de imagens íntimas;
Lei do Minuto Seguinte (Lei 12.845/13): garante atendimento médico no SUS a vítimas de violência sexual;
Lei do Feminicídio (Lei 13.104/15): tipifica o assassinato de mulheres por motivo do gênero, com pena aumentada em 2024 para até 40 anos;
Lei da Importunação Sexual (Lei 13.718/18): criminaliza investidas sexuais sem consentimento;
Lei da Violência Psicológica (Lei 14.188/21): criminaliza qualquer conduta que cause dano emocional à mulher;
Lei de Violência Política de Gênero (Lei 14.192/21): previne, reprime e combate ação ou omissão que restrinja ou impeça direitos políticos das mulheres;
Lei da Igualdade Salarial (Lei 14.611/23): determina equiparação salarial entre homens e mulheres que desempenham a mesma função ou trabalho de igual valor;
Lei do Programa de Reconstrução Dentária (Lei 15.116/25): assegura atendimento odontológico para vítimas de agressão; e
Lei do Monitoramento Eletrônico (Lei 15.280/25): institui o monitoramento eletrônico obrigatório de agressores, com alerta de aproximação.
Emergência global
O problema não é exclusivo do Brasil. No mundo, 50 mil mulheres foram mortas em 2024.
Casos como o da francesa Gisèle Pelicot — dopada e abusada pelo marido e por outros homens — e o do pedófilo Jeffrey Epstein — que envolve políticos, autoridades e bilionários, como membros da família real britânica — motivaram a ONU (Organização das Nações Unidas) a classificar a violência contra mulheres em “emergência global”.
Responsabilidade de cada cidadão
A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), central sindical à qual o SAEP é vinculado, intensificou em 2026 a luta contra o feminicídio, denunciando a escalada da violência de gênero e exigindo políticas públicas eficazes, em meio a dados históricos de mortes em São Paulo.
A central apoia o pacto “Feminicídio Zero” e clama por ações contra o ciclo de violência.
O fim do feminicídio é uma das bandeiras de luta da CTB para este 8 de março. A central também reforça a mobilização pelo fim da escala 6x1, em defesa da soberania dos povos e de maior representação política feminina.
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