Brasília, segunda-feira, 5 de março de 2012 - 12:12
DIREITO TRABALHISTA
Justiça aplica justa causa a empregador que não depositava FGTS
Fonte: TR T - 3ª Região/MG
Considerado falta gravíssima, empresa foi condenada ao pagamento de todas as parcelas trabalhistas
Regra geral, o descumprimento de direitos trabalhistas, por si só, não gera a rescisão indireta do contrato de trabalho. Esse tipo de ruptura do vínculo equivale à justa causa aplicada ao empregador.
Portanto, assim como a aplicação da penalidade máxima ao empregado exige a comprovação de falta grave cometida por ele, também a rescisão indireta deve se justificar em falta grave do empregador.
Nesse contexto, o Tribunal Regional do Trabalho, da 3ª Região em Minas Gerais, entendeu como grave o suficiente para ensejar o término indireto do contrato a conduta da empresa que, durante uma década de prestação de serviços do empregado, depositou apenas alguns meses do Fundo de Garantida do Tempo de Serviço (FGTS).
Conforme esclareceu o desembargador Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, à época atuando no processo como juiz relator convocado, a empregada pediu a rescisão indireta do contrato de trabalho sob vários fundamentos, incluindo trabalho em excesso de jornada e descumprimento do intervalo intrajornada.
No entanto, segundo o magistrado, estas faltas não são consideradas gravíssimas, de forma a impedir a continuidade da relação de emprego. Tanto que a autora continuou por longos anos na instituição, o que deixa claro que houve perdão tácito. Mas, com relação ao FGTS, a história é outra.
O relator lembrou que o Fundo de Garantia pode ser utilizado para a compra da casa própria, de terreno, abater financiamento de imóveis ou sacado na aposentadoria ou quando o trabalhador completar 70 anos e, ainda, em casos de falecimento ou doenças graves.
Além disso, trata-se de garantia alimentar do trabalhador e sua família, na hipótese de desemprego. É uma reserva, da qual ele poderá se valer em momentos difíceis. Se não é depositado por muitos anos, o empregado corre o risco de a empresa falir ou desaparecer antes de honrar com a obrigação do FGTS, acrescido de juros, correção monetária e multas.
No caso do processo, os extratos anexados pela ex-empregada e a confissão da empresa não deixam dúvidas de que, em dez anos de serviço, somente foram feitos depósitos do FGTS em alguns poucos meses. Na visão do desembargador, houve falta realmente grave.
Provada a falta patronal gravíssima, do descumprimento da obrigação legal a que a empresa estava sujeita mensalmente, a autora se desincumbiu do seu encargo probatório, ressaltou o relator, dando provimento ao recurso da ex-empregada, para declarar a rescisão indireta do contrato de trabalho e condenar a empresa ao pagamento das parcelas trabalhistas.
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