Brasília, terça-feira, 6 de janeiro de 2009 - 19:8
INVESTIMENTOS
Governo brasileiro estuda pacote de R$ 200 bilhões
Fonte: Jornal do Brasil
Medidas devem incentivar a compra da casa própria com recursos da caderneta de poupança
O pacote de estímulo à construção civil e infra-estrutura deve movimentar R$ 200 bilhões, segundo informaram ministros e representantes dos dois setores. Esse dinheiro incluirá desoneração tributária e incorporação de obras ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As novas medidas estão sendo analisadas pela equipe econômica.
O pacote de medidas de estímulo ao setor de infra-estrutura deve movimentar um volume de recursos da ordem de R$ 200 bilhões em 2009. Pelo menos se forem consumadas as expectativas reveladas por ministros para representantes do setor.
Ontem, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, revelou ao JB que, em recente conversa, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, confirmou que as novas medidas em estudo pela equipe econômica deverão resultar no que o próprio executivo classificou de "grande pacote" para fomentar os setores da construção civil e de infra-estrutura.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, convidou representantes dos dois setores para discutir amanhã as medidas que serão implementadas no novo pacote, que deverá ser anunciado até o dia 20 deste mês. Além do próprio Simão, também foi convidado o presidente da Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, que espera novas desonerações tributárias para o setor.
A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda disse que só hoje teria acesso à agenda de quarta-feira do ministro. O ministério confirma que o presidente Lula quer que as obras do PAC não parem.
"Essas seriam novas obras que seriam incorporadas ao PAC, além dos programas de habitação de interesse social", disse Simão.
Pelo que sabe Simão, o pacote deve atender, além da construção civil e infra-estrutura, a indústria automotiva e agricultura. Sem arriscar valor para o novo pacote, Godoy disse que o Governo deve anunciar novas desonerações tributárias para os investimentos no setor.
De acordo com Godoy, o Governo deve focar os investimentos nos dois setores geradores de emprego para compensar as perdas de investimentos privados na economia em 2009, em virtude da crise financeira internacional. Apenas a construção civil representa 45% dos investimentos diretos do País.
Encontro sigiloso
Não se sabe se Simão e Godoy serão recebidos no mesmo horário, mas o presidente da Câmara da Construção informou que se reunirá com o ministro às 16h. Godoy, ao contrário, preferiu não confirmar a hora.
Para Simão, os R$ 200 bilhões são suficientes para atender as obras a serem contempladas nas áreas de construção civil e infra-estrutura, principalmente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para o executivo, só devem ser contempladas as obras do PAC já com licenças ambientais, de modo a agilizar as execuções.
Simão acredita que, por ser de interesse social, o pacote de infra-estrutura e habitação deverá incluir medidas para incentivar a compra da casa própria com recursos da caderneta de poupança.
Além disso, espera recursos não só para obras de siderurgia, mas também para mineração e crédito para as construtoras viabilizarem empreendimentos até junho deste ano.
Assim, atenderia, sobretudo a demanda de 2010 e 2011. "Se não vier um investimento público forte para esses setores, o governo terá dificuldade de garantir o crescimento em tais setores", defende Simão.
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