Brasília, quinta-feira, 9 de julho de 2009 - 19:2
PATRÕES RECUAM
Ensino superior: campanha salarial perto do fim
Patrões se negam a manter proposta de reajuste do piso salarial mesmo reconhecendo necessidade de atender reivindicação
Na última quarta-feira (8), a diretoria do SAEP se reuniu com a comissão que representa os patrões, na sede do Sindepes, para mais uma rodada de negociação.
Os representantes dos auxiliares de administração reivindicaram a ratificação da proposta de reajuste do piso salarial da categoria, apresentada pela comissão ao Sindicato, na última reunião (24).
"A proposta [de reajustar o piso] foi de vocês. Saímos daqui na última reunião com esse compromisso. A não aprovação da proposta pela assembléia dos patrões foi um retrocesso", lamentou a presidente do SAEP, Maria de Jesus da Silva.
No entanto, o advogado do Sindepes e presidente da comissão, Roberto Esteves Lima disse que "a comissão toda concorda com o reajuste".
"Mas, nós [da comissão] não temos autonomia para decidir. Acredito que o ano que vem vamos discutir e ter que aumentar esse piso, porque ele vai ser engolido pelo salário mínimo", afirmou o advogado.
Direito negado
Apesar de reconhecer a necessidade do reajuste do piso salarial da categoria, os patrões preferem se omitir e negam esse direito de melhoria das condições de trabalho para os auxiliares.
"É vergonhoso o piso de uma categoria ser atropelado pelo salário mínimo", disse a presidente do SAEP.
O assessor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Haroldo Pereira Fernandes Filho, disse que a atitude dos empregadores foi um "ato de má fé", por terem apresentado a proposta e depois não a sustentarem.
Eu acho que deveria ter aprovado a proposta. Continuo com a mesma opinião. Agora, nós só temos a lamentar, é uma conquista que está sendo engolida", afirmou o advogado do Sindepes.
"Vamos levar, vamos levar!"
Essa é a justificativa da comissão de negociação. Afirmaram que só foi apresentada a proposta do reajuste porque "iam levar" à assembléia dos patrões.
A qual, segundo uma das representantes da comissão, "apenas um ou dois empregadores não concordaram porque pagam o piso".
A integrante da comissão disse ainda que "acha que deveria arredondar o valor do piso salarial [conforme a proposta]". "Mas não sou eu quem pago".
Cadê o compromisso? Como garantir os direitos dos trabalhadores se não honram nem as propostas que fazem? É lastimável tentar negociar desta forma.
Ainda sem acordo
Os representantes do SAEP ainda não aceitaram o acordo proposto pelos patrões referente a nova convenção coletiva de trabalho (CCT).
Uma nova assembléia, a ser marcada, será realizada com os auxiliares de administração escolar para saber se a proposta atende satisfatoriamente as reivindicações da categoria.
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