Brasília, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026 - 16:6
Morre Renato Rabelo, dirigente histórico do PCdoB, aos 83 anos
Ex-presidente do partido, militante da resistência à ditadura e referência do pensamento marxista no Brasil, ele lutava contra câncer havia 3 anos
Renato Rabelo, dirigente histórico do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e uma das personalidades mais emblemáticas da política de esquerda no Brasil nas últimas 6 décadas, faleceu neste domingo (15) de Carnaval, aos 83 anos, em São Paulo, após longa luta contra câncer que vinha enfrentando há cerca de 3 anos.
O falecimento, confirmado pelo PCdoB em nota oficial divulgada ainda no feriado de Carnaval, comoveu militantes, aliados políticos e adversários, e foi amplamente repercutido nas redes digitais e veículos de imprensa.
Vida de luta: da Bahia à liderança nacional
Nascido em 22 de fevereiro de 1942, em Ubaíra (BA), José Renato Rabelo iniciou a trajetória política muito jovem, no calor dos movimentos estudantis da década de 1960.
Médico de formação pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), destacou-se como presidente da UEB (União dos Estudantes da Bahia) em 1965 e vice-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) em plena ditadura militar — 1964-1985 — posições que o colocaram na linha de frente da resistência à repressão.
Foi também membro destacado da AP (Ação Popular) antes de integrar o PCdoB, tendo participando da reorganização da esquerda e da luta armada durante um dos períodos mais difíceis da história brasileira.
A repressão o forçou à clandestinidade e ao exílio, especialmente após episódios como a Chacina da Lapa, em 1976, quando diversos dirigentes partidários foram presos, torturados ou mortos pela ditadura.
Retornou ao Brasil com a Lei da Anistia em 1979, tendo contribuído decisivamente para a reconstituição do PCdoB no período posterior ao regime autoritário.
Presidência do PCdoB e papel político
Em 2001, Renato Rabelo sucedeu a João Amazonas na presidência nacional do PCdoB, cargo que exerceu até 2015, consolidando o partido como ator relevante da política brasileira.
Sob a liderança Rabelo, o PCdoB participou de frentes amplas e alianças com outros partidos progressistas, como o PT e o PSB, e integrou a base de apoio dos governos Lula e Dilma Rousseff, contribuindo para a formulação de políticas públicas e para a construção de agenda de unidade das forças democráticas e populares.
Segundo o PCdoB, “foram mais de 60 anos de militância revolucionária” e Rabelo deixou “rica produção política, teórica e ideológica, um magnífico exemplo de vida e de militância política”.
Repercussões e homenagens
A morte de Renato Rabelo provocou onda de homenagens. A bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados destacou a contribuição dele para a formação de gerações de militantes, lembrando que “o Brasil ficou mais pobre de ideias e de luta”.
Autoridades progressistas também manifestaram pesar. O presidente Lula (PT) lembrou nas redes digitais a importância de Rabelo na construção da unidade das forças políticas em prol da soberania e da justiça social, e ressaltou a visão estratégica e capacidade de diálogo do dirigente comunista.
A ministra Gleisi Hoffmann escreveu que recebeu “com muita tristeza a perda do companheiro Renato Rabelo”, e recordou a luta de Rabelo contra a ditadura, a perseguição e o exílio.
Memória e legado
O velório de Renato Rabelo foi marcado para o Palácio do Trabalhador, em São Paulo, nesta segunda-feira (16), onde dirigentes, militantes, familiares e admiradores puderam prestar as últimas homenagens.
Figura respeitada pelos pares e reconhecida por adversários como símbolo da resistência democrática no Brasil, Rabelo deixa legado de resistência, construção partidária e compromisso com ideais socialistas e democráticos que atravessaram gerações.
A vida dele espelha as múltiplas fases da luta política brasileira — da repressão à redemocratização, da resistência estudantil à construção de alianças amplas — e permanece como referência para quem busca compreender a história recente do País.
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