Brasília, segunda-feira, 24 de junho de 2013 - 16:17
OPINIÃO
´Beabá´ diante das mobilizações que colocaram em xeque as instituições
Por: Saul Leblon, no site Carta Maior |
A tarefa mais urgente: conversar sobre o Brasil
A democracia deve ser exercida ali onde está o poder.
Não há nada mais precioso na vida de uma Nação do que o momento em que o poder se define nas ruas.
Assegurar que ele seja um poder democrático é a tarefa mais urgente no Brasil nesse momento.
As forças progressistas, preocupadas com os rumos das legítimas manifestações de massa em todo o país, têm uma tarefa simples, prática, urgente e incontornável.
Reunir-se em todos os fóruns possíveis para exercer a democracia dando-lhe um conteúdo propositivo.
Conversar sobre o Brasil.
Entender o momento vivido pelo Brasil.
Formular e reforçar linhas de passagem entre o país que já temos e aquele que queremos ter.
Que temos o direito de ter.
Não há tarefa mais importante na luta pelo desenvolvimento do que criar valores.
Não propriamente aqueles negociados em Bolsa.
Mas valores que coloquem a economia e os recursos a serviço da sociedade.
Como bem disse a presidente Dilma em seu discurso de sexta-feira, ‘Precisamos oxigenar o nosso sistema político. É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar".
É crucial dar organicidade a esse princípio.
Os valores que vão ordenar a travessia para o novo ciclo de desenvolvimento estão sendo sedimentados nos dias que correm.
As forças progressistas devem participar ativamente da carpintaria dessa moldura histórica.
Como?
Organizando-se para ir às ruas.
Reunindo-se previamente para conversar sobre o Brasil.
Em núcleos de base dos partidos, nos diretórios, sindicatos, associações de moradores, nos locais de trabalho, nos círculos de vizinhança, nas escolas, nos condomínios, com a turma do futebol ou a do facebook.
Fóruns já existentes, mas enferrujados, devem ser ativados; outros novos precisam ser criados.
O anseio por mais democracia revelado nos últimos dias não pode ser desperdiçado.
Não deve ser sufocado.
Nem desvirtuado.
Quem entorpece o discernimento social tangendo justas aspirações para o terreno pantanoso do apartidarismo totalitário, conspira contra a democracia, falando em nome dela.
A mobilização progressista exige referencias aglutinadoras.
Elas estão igualmente em curso.
Nos últimos dias, em diferentes pontos do país, os encontros se multiplicam.
Na sexta-feira (21), por exemplo, cerca de 800 pessoas, representando 80 entidades reuniram-se no Sindicato dos Químicos em São Paulo, à convite do MST.
Em pauta: mobilizar um milhão de pessoas em São Paulo, em defesa de um Brasil onde a democracia participativa paute o destino da sociedade e o futuro da economia.
Sábado (22), na Casa da Cidade, em SP, mais de 200 intelectuais, sindicalistas, integrantes do PSol, PSTU, PT, PCdoB, PSB, PDT etc reuniram-se com o mesmo espírito.
São apenas dois exemplos. E eles não podem ser mais que dois, entre centenas, nos próximos dias.
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