Morre Renato Rabelo, dirigente histórico do PCdoB, aos 83 anos

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Morre Renato Rabelo, dirigente histórico do PCdoB, aos 83 anos

Ex-presidente do partido, militante da resistência à ditadura e referência do pensamento marxista no Brasil, ele lutava contra câncer havia 3 anos

Foto: Reprodução.

Renato Rabelo, dirigente histórico do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e uma das personalidades mais emblemáticas da política de esquerda no Brasil nas últimas 6 décadas, faleceu neste domingo (15) de Carnaval, aos 83 anos, em São Paulo, após longa luta contra câncer que vinha enfrentando há cerca de 3 anos.

O falecimento, confirmado pelo PCdoB em nota oficial divulgada ainda no feriado de Carnaval, comoveu militantes, aliados políticos e adversários, e foi amplamente repercutido nas redes digitais e veículos de imprensa.


Vida de luta: da Bahia à liderança nacional

Nascido em 22 de fevereiro de 1942, em Ubaíra (BA), José Renato Rabelo iniciou a trajetória política muito jovem, no calor dos movimentos estudantis da década de 1960.

Médico de formação pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), destacou-se como presidente da UEB (União dos Estudantes da Bahia) em 1965 e vice-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) em plena ditadura militar — 1964-1985 — posições que o colocaram na linha de frente da resistência à repressão.

Foi também membro destacado da AP (Ação Popular) antes de integrar o PCdoB, tendo participando da reorganização da esquerda e da luta armada durante um dos períodos mais difíceis da história brasileira.

A repressão o forçou à clandestinidade e ao exílio, especialmente após episódios como a Chacina da Lapa, em 1976, quando diversos dirigentes partidários foram presos, torturados ou mortos pela ditadura.

Retornou ao Brasil com a Lei da Anistia em 1979, tendo contribuído decisivamente para a reconstituição do PCdoB no período posterior ao regime autoritário.


Presidência do PCdoB e papel político

Em 2001, Renato Rabelo sucedeu a João Amazonas na presidência nacional do PCdoB, cargo que exerceu até 2015, consolidando o partido como ator relevante da política brasileira.

Sob a liderança Rabelo, o PCdoB participou de frentes amplas e alianças com outros partidos progressistas, como o PT e o PSB, e integrou a base de apoio dos governos Lula e Dilma Rousseff, contribuindo para a formulação de políticas públicas e para a construção de agenda de unidade das forças democráticas e populares.

Segundo o PCdoB, “foram mais de 60 anos de militância revolucionária” e Rabelo deixou “rica produção política, teórica e ideológica, um magnífico exemplo de vida e de militância política”.


Repercussões e homenagens

A morte de Renato Rabelo provocou onda de homenagens. A bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados destacou a contribuição dele para a formação de gerações de militantes, lembrando que “o Brasil ficou mais pobre de ideias e de luta”.

Autoridades progressistas também manifestaram pesar. O presidente Lula (PT) lembrou nas redes digitais a importância de Rabelo na construção da unidade das forças políticas em prol da soberania e da justiça social, e ressaltou a visão estratégica e capacidade de diálogo do dirigente comunista.

A ministra Gleisi Hoffmann escreveu que recebeu “com muita tristeza a perda do companheiro Renato Rabelo”, e recordou a luta de Rabelo contra a ditadura, a perseguição e o exílio.


Memória e legado

O velório de Renato Rabelo foi marcado para o Palácio do Trabalhador, em São Paulo, nesta segunda-feira (16), onde dirigentes, militantes, familiares e admiradores puderam prestar as últimas homenagens.

Figura respeitada pelos pares e reconhecida por adversários como símbolo da resistência democrática no Brasil, Rabelo deixa legado de resistência, construção partidária e compromisso com ideais socialistas e democráticos que atravessaram gerações.

A vida dele espelha as múltiplas fases da luta política brasileira — da repressão à redemocratização, da resistência estudantil à construção de alianças amplas — e permanece como referência para quem busca compreender a história recente do País.









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