Jornada e escala: a vez e a hora da pressão social

Brasília-DF, sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026


Brasília, quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 - 17:6

Jornada e escala: a vez e a hora da pressão social

Em 2026, reduzir a jornada e enfrentar a escala 6x1 exigirá mobilização permanente no Congresso e nas ruas.

Foto: Ká Maroli

O ano de 2026 será decisivo para a classe trabalhadora brasileira. A redução da jornada de trabalho e a revisão da escala 6x1 consolidam-se como as 2 principais pautas do movimento sindical no País.

O debate já está colocado na Câmara dos Deputados e, na sequência, caberá ao Senado Federal examinar e deliberar sobre as proposições em discussão pelos deputados.

Não se trata apenas de discussão técnica sobre horas trabalhadas.

Estamos diante de embate estrutural entre 2 projetos: o que prioriza a qualidade de vida, o emprego e a dignidade do trabalhador; e o que insiste na maximização do lucro à custa da exaustão da força de trabalho.


Jornada no centro do debate

A redução da jornada — de 44 para 40 horas semanais — sem redução salarial é reivindicação histórica. Em contexto de avanços tecnológicos e aumento da produtividade, é razoável perguntar: por que os ganhos não se convertem em mais tempo de vida para quem produz a riqueza?

Diversos estudos apontam que jornadas menores podem elevar a produtividade, reduzir adoecimentos e ampliar postos de trabalho.

Ainda assim, setores empresariais resistem, alegando aumento de custos e riscos à competitividade. O que está em jogo, porém, é a distribuição dos frutos do desenvolvimento econômico.


Escala 6x1: vida além do trabalho

A escala 6x1 — 6 dias de trabalho para apenas um de descanso — tornou-se símbolo de um modelo que compromete o convívio familiar, o descanso e a saúde mental.

A revisão desse regime não é capricho corporativo; é necessidade social.

A manutenção do modelo atual interessa a segmentos empresariais que se beneficiam da flexibilidade extrema da mão de obra. Alterá-lo exige coragem política e pressão organizada dos trabalhadores e dos movimentos sociais.


Congresso sob pressão

O trâmite legislativo é apenas parte do processo. A experiência demonstra que matérias de forte impacto social não avançam apenas pela força dos argumentos técnicos. Avançam quando há mobilização consistente.

O resultado — positivo ou negativo — dependerá diretamente da capacidade de articulação do movimento sindical, da construção de alianças e da presença ativa dos trabalhadores nas bases eleitorais dos parlamentares.

Deputados e senadores precisam sentir que o tema ultrapassa gabinetes e ecoa nas ruas.


Mobilizar é preciso

O debate já está na sociedade, no Congresso e no interior do próprio movimento sindical. Agora é hora de transformá-lo em ação organizada.

Se não houver pressão social, prevalecerá a inércia. E a inércia, sabemos, favorece quem deseja manter tudo como está.

Reduzir jornada e rever a escala 6x1 não são pautas isoladas — são parte de projeto de país que valoriza o trabalho, fortalece a democracia e promove justiça social.

Mobilizar é preciso. Porque direitos não se concedem espontaneamente: conquistam-se com organização, unidade e luta dos trabalhadores e da sociedade.


(*) Presidente do SAEP









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